A exposição do Projecto Troika, em construção, está até Agosto no edifício AXA, no Porto.
Apresenta numa perspetiva “work in progress”, os trabalhos de Adriano Miranda, António Pedrosa, Bruno Simões Castanheira, José Carlos Carvalho, Lara Jacinto, Paulo Pimenta, Pedro Neves, Vasco Célio e Rodrigo Cabrita. A exposição conta ainda com a participação de artistas convidados — Carlos Oliveira, Isaque Pinheiro, Nuno Florêncio, Rute Rosas, Gina Marrinhas e Rafi.
Manuel, 48 anos, deixa para trás a família, os amigos, alguns sonhos, para poder trabalhar. Depois de dois anos sem conseguir trabalho emigrou para Inglaterra.
Uma imensa tristeza
GRAÇA MORAIS
Lara Jacinto faz parte de um grupo de jovens fotógrafos que através de imagens nos mostram o país numa visão social, de famílias carenciadas e de paisagens desertificadas. Vejo nestas fotografias imagens de enorme sensibilidade e beleza que contrastam com a solidão, a desolação e o vazio sem esperança. São imagens que reflectem a história de pessoas e lugares agora tão abandonados. A destruição da linha do Tua, as ruínas do empreendimento do Cachão, as montanhas queimadas pelos fogos todos os verões, empobrecem e dão-nos a certeza de estarmos perante uma tragédia que nos toca a todos. Uma população desesperada abandona o meio rural e refugia-se na cidade onde vive cada vez mais pobre e desenraizada.
A fotografia de um velho homem é de uma grande verdade e profundamente emocionante. As imagens de jovens mulheres que todos os dias repetem gestos de sobrevivência são muito intensas. Transmitem uma grande inquietação e enorme beleza. As fotografias de Lara Jacinto testemunham uma realidade e um tempo incerto e conturbado.
Ao olhar com atenção para as fotografias de Lara Jacinto, tão carregadas de silêncios denunciadores, questiono-me sobre o meu papel de Mulher e Artista. Através delas vou ao encontro da minha memória, da minha ligação a uma região onde nasci e à qual regresso sempre.
Acredito que a Arte traz consigo a esperança, o acto de criação pode salvar este mundo tão esquecido e tão humilhado. Acredito também que a criatividade e a solidariedade possam lutar contra a pobreza e ignorância. Estou certa que a valorização do património humano e o retorno à terra podem possibilitar uma vida com mais abundância, com mais felicidade.
O Adriano Miranda escreveu sobre a aventura que foi o 12.12.12.