Uma imensa tristeza
GRAÇA MORAIS
Lara Jacinto faz parte de um grupo de jovens fotógrafos que através de imagens nos mostram o país numa visão social, de famílias carenciadas e de paisagens desertificadas. Vejo nestas fotografias imagens de enorme sensibilidade e beleza que contrastam com a solidão, a desolação e o vazio sem esperança. São imagens que reflectem a história de pessoas e lugares agora tão abandonados. A destruição da linha do Tua, as ruínas do empreendimento do Cachão, as montanhas queimadas pelos fogos todos os verões, empobrecem e dão-nos a certeza de estarmos perante uma tragédia que nos toca a todos. Uma população desesperada abandona o meio rural e refugia-se na cidade onde vive cada vez mais pobre e desenraizada.
A fotografia de um velho homem é de uma grande verdade e profundamente emocionante. As imagens de jovens mulheres que todos os dias repetem gestos de sobrevivência são muito intensas. Transmitem uma grande inquietação e enorme beleza. As fotografias de Lara Jacinto testemunham uma realidade e um tempo incerto e conturbado.
Ao olhar com atenção para as fotografias de Lara Jacinto, tão carregadas de silêncios denunciadores, questiono-me sobre o meu papel de Mulher e Artista. Através delas vou ao encontro da minha memória, da minha ligação a uma região onde nasci e à qual regresso sempre.
Acredito que a Arte traz consigo a esperança, o acto de criação pode salvar este mundo tão esquecido e tão humilhado. Acredito também que a criatividade e a solidariedade possam lutar contra a pobreza e ignorância. Estou certa que a valorização do património humano e o retorno à terra podem possibilitar uma vida com mais abundância, com mais felicidade.